sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Certeza e sua incerta natureza

A certeza, que é vista pela esmagadora maioria de nossa sociedade como uma virtude e algo imprescindível para o sucesso (veja bem que a palavra sucesso neste caso (finalmente (será que posso usar tantos parênteses assim?)) não está sendo usada com um viés profissional/econômico ou de qualquer maneira associada a algum status ou que gere uma boa visão para as pessoas(ok, agora você terá que retornar à última palavra que escrevi antes do(s) parênteses porque possivelmente já nem lembra mais sobre o que estou falando, ou melhor, te sugiro voltar a ler o texto de novo, não será tão difícil, ainda estamos no primeiro parágrafo, não que eu ache que haverá muitos, mas de qualquer forma ainda estamos no primeiro parágrafo) é na verdade algo muito relativo e que merece ser fruto de análise, terapia, pesquisa ou que simplesmente seja assunto de uma boa conversa acompanhada de uma boa cerveja e, se possível, uma boa companhia.
A certeza é preponderante para o início de um novo projeto, por exemplo, se aparecer seu amigo Paulo e dizer mais uma vez:
_É cara, acho que vou mais uma vez terminar com minha namorada.
Você irremediavelmente e sem pestanejar perguntará:
_Tem certeza?
Outros casos:
_Cara, vou largar tudo, já não agüento mais, vou para o nordeste tirar umas férias.
_Vou vender a empresa, surgiu uma ótima oportunidade.
_Vou pedir de calabresa.
Você responderá todas estas frases com a pergunta: Tem certeza? E o fará com toda a “certeza” do mundo. Parece que a certeza virou um pressuposto, uma boa desculpa, mais que isso, uma boa razão, uma causa nobre, uma desencadeadora de mudanças de rumos, de decisões, uma precedente de grandes ações, quem sabe ações históricas.
_Roger Federer, quando resolver seguir a carreira de tenista tinha certeza que aquil daria certo, Newton tinha certeza de suas convicções à  respeito da física, assim como seu colega de área Einstein, Mandela tinha certeza de que a igualdade era o caminho certo.
Tudo bem, eu entendo seu argumento, a certeza já ajudou muita gente, já vi e li vários depoimentos a seu favor, mas Bin Laden também tinha certeza que daria certo antes de derrubar as torres gêmeas, o atirador maluco do Realengo também tinha certeza antes de realizar os disparos naquele infeliz episódio na escola no Rio.
_Você tem certeza que é seguro?
_Claro.
E estas foram suas últimas palavras antes de serem pegos em flagrante roubando goiabas da bonita fazendo do seu Manoel.
As coisas mudaram um pouco não é mesmo? Você já começou a ver a certeza como uma jogadora, se faz de boazinha sob seus olhos, mas atua nos dois lados, para o bem e para o mau. Bem, a certeza toma o rumo que cada pessoa destina a ela, não sou psicólogo ou coisa que o valha para analisá-la, sou só uma pessoa normal que costuma analisar as coisas.
Será que temos mesmo que ter certeza das coisas? Será que a certeza existe mesmo?
Eu acredito que não, e por isso estou aqui ouvindo uma nova banda portuguesa que conheci, chamada B Fachada, e escrevendo estas coisas. Sou da ala de pessoas que não acredita na certeza, na verdade somos um grupo um secreto que lembra a maçonaria neste ponto, somos apartidários, discretos e convivemos normalmente na sociedade, falamos que temos certeza de muitas coisas e dificilmente somos descobertos, mais que isso, dificilmente somos descobertos por nós mesmos.
O ser humano é muito instável, a certeza acompanha esta tendência, é um sentimento (sim, ela ganhou status de sentimento agora) muito inseguro, fica em cima do muro e muitas vezes muda de opinião sem avisar a ninguém, sem deixar uma nota de rodapé ou avisar por e-mail ou recado na caixa de mensagens do seu celular como fazem muitos. Se eu for esperá-la para fazer todas as coisas na minha vida, provavelmente envelhecerei sem fazer muitas coisas, não pelo mundo ou para evoluir a humanidade, o que acredito que dificilmente farei. Provavelmente demoraria horas na padaria, são tantos pães, doces, delícias, o que comerei? Que livro lerei, beats, russos, best-sellers? Blues, jazz, rock, folk? Que camisa, preta ou azul marinho? Malditas tonalidades, felizes são os daltônicos ou as tevês de antigamente.
Caro leitor (caso você realmente exista), não se prenda nesta história de certezas, sempre tive uma queda pelas tentativas, se bem sucedida você finge que tinha certeza que daria certo. Isso, use a certeza a seu favor, use-a somente que você tiver certeza, ou seja, depois do resultado, do evento realizado, do jogo terminado, do contrato fechado, do livro lido, da música escutada, da fome esgotada. Mas não seja explicito, queremos seguir como uma sociedade secreta, implementando nossas idéias aos poucos e, também aos poucos, dando uma forma mais incerta ao nosso mundo.

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